Segundo senador, pesquisadores afirmam que uma sessão de narguilé pode ser equivalente à inalação de dezenas de cigarros
Um projeto de lei em análise no Senado Federal propõe a proibição da fabricação, comércio e uso de narguilés e demais acessórios em todo o Brasil. A iniciativa, apresentada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), tem como objetivo principal alertar e mitigar os graves riscos à saúde associados ao uso do cachimbo d’água, especialmente entre jovens.
O narguilé, conhecido também como cachimbo d’água, é um dispositivo utilizado para fumar tabaco aromatizado (essência) ou outras substâncias, onde a fumaça passa por um vaso com água antes de ser inalada.
“A literatura científica é clara ao apontar que o uso de narguilé acarreta riscos semelhantes ou superiores aos do cigarro, incluindo as doenças respiratórias, cardiovasculares e diversos tipos de câncer, exigindo medidas regulatórias urgentes para a proteção da saúde pública”, afirma o senador Girão.
Ele ressalta que há um consenso entre pesquisadores de que uma única sessão de uso de narguilé pode ser equivalente à inalação de dezenas de cigarros. Essa equivalência aumenta não só o risco de doenças já mencionadas, mas também o risco de dependência química devido à presença de nicotina.
Girão também cita uma pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) que aponta um desequilíbrio financeiro significativo: para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o Brasil gasta R$ 5 com doenças provocadas por derivados dessa substância, levando a perdas anuais estimadas em R$ 153 bilhões para o país.
Influenciadores e estratégia de marketing
O senador argumenta que a disseminação do narguilé tem sido impulsionada, em parte, “por uma estratégia de marketing sutil que o posiciona como um produto de lazer e socialização, frequentemente associado a ambientes de entretenimento e a um estilo de vida moderno”.
Essa estratégia, enfatiza Girão, é ampliada por influenciadores digitais e pela presença do narguilé em estabelecimentos comerciais, “contribuindo para a normalização e a banalização do consumo, especialmente entre adolescentes e jovens adultos”.
O projeto de lei deve passar pelas comissões de economia e desenvolvimento, política social e saúde no Senado antes de seguir para outras etapas legislativas.
