Maria do Carmo Santos, presidente do Grupo Vítimas Unidas e amiga próxima da família, rejeitou qualquer teoria de que Eliza esteja viva. “Não temos dúvida de que Eliza está morta. Seria maravilhoso descobrir que ela está viva, mas lamentavelmente a gente sabe que não está”, declarou.
Segundo Maria do Carmo, o passaporte encontrado contém apenas um carimbo de entrada em Portugal, datado de 5 de maio de 2007, sem registro de saída. Para ela, o documento pode ter sido perdido, com posterior emissão de segunda via. “Todo mundo sabe que Eliza voltou ao Brasil. Só existe uma explicação: se o passaporte é verdadeiro, ela perdeu e tirou a segunda via”, afirmou. Maria do Carmo é madrinha de Bruninho, filho de Eliza com o goleiro Bruno.
A presidente do Grupo Vítimas Unidas também cobra uma investigação da Polícia Federal para esclarecer como o passaporte foi parar no imóvel em Portugal. A PF informou que “informações dessa natureza são de caráter pessoal e não são divulgadas”.
Além disso, Maria do Carmo questiona o homem que encontrou o documento e se apresentou como “José” em entrevista ao portal Leo Dias, preservando a identidade. “A quem interessa essa confusão? O passaporte passou 19 anos ali? Ninguém nunca limpou aquela casa? Quem deixou e por que trouxeram isso à tona agora?”, indagou. A família pede que o caso seja apurado.
Itamaraty pede retorno do documento ao Brasil
Em nota, o Itamaraty informou nesta terça-feira (6) que determinou ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa o envio do passaporte — já expirado e cancelado — para a sede do ministério, em Brasília. O documento ficará à disposição da família, caso haja interesse em recebê-lo. Até o momento, a mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, optou por não se manifestar oficialmente.
Relembre o caso
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, em Minas Gerais, após se envolver em um conflito com o então goleiro Bruno, com quem teve um filho. As investigações concluíram que a modelo foi sequestrada, mantida em cárcere privado e assassinada por estrangulamento.
Bruno foi condenado como mandante do crime, além de sequestro e cárcere privado, a mais de 22 anos de prisão. Também foram condenados Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como “Bola”, apontado como executor, e Luiz Henrique Romão, o “Macarrão”, por participação no homicídio e ocultação de cadáver, entre outros envolvidos.
O corpo de Eliza Samudio nunca foi localizado, mas a Justiça entendeu que o conjunto de provas e depoimentos foi suficiente para comprovar o assassinato e responsabilizar os réus.
