Do recreio à memória: entenda o que decretou o fim da produção do Kichute
Mas se era tão querido e funcional, por que desapareceu das prateleiras?
O nascimento de um ícone versátil
A história do Kichute começou em 1970, lançado pela empresa Alpargatas no auge da empolgação da Copa do Mundo do México. A proposta era criar um calçado que unisse a resistência de um tênis de lona com a praticidade de uma chuteira para o uso diário.
Segundo o Museu Tec IFSC, o sucesso do Kichute se deu por dois fatores cruciais: o preço acessível e a sua versatilidade. Na época, muitos uniformes escolares exigiam sapatos pretos, e o Kichute servia perfeitamente para a aula. Ao sair da escola, ele se transformava em chuteira. Tamanha era a sua resistência que, na década de 1990, chegou a ser usado como parte do uniforme dos garis da cidade de São Paulo.
A chegada da concorrência e o fim do reinado
O reinado do Kichute começou a ser desafiado nos anos 1990. Com a abertura econômica do Brasil, o mercado recebeu uma enxurrada de marcas internacionais como Nike, Adidas e Reebok.
Essas marcas trouxeram novas tecnologias, cores vibrantes e um apelo de status que o simples Kichute não conseguia mais competir. Diante das novidades globais, o icônico tênis de lona começou a parecer ultrapassado para as novas gerações.

Focada em marcas com maior potencial global, como Havaianas e Topper, a Alpargatas decidiu mudar sua estratégia de mercado. Isso levou à descontinuação do Kichute em 1996, selando o fim da produção de um dos maiores símbolos culturais da infância brasileira.