Prefeito de Caçador apresentou dois projetos para encerrar com as emendas impositivas; vereadores se mostraram contrários
Uma proposta polêmica do prefeito Alencar Mendes (PL) acendeu o debate na Câmara Municipal de Caçador: a revogação dos artigos da Lei Orgânica Municipal que garantem as emendas impositivas. Esse mecanismo, que obriga o Executivo a destinar parte do orçamento conforme a indicação dos vereadores, está no centro de uma discussão que promete esquentar as próximas sessões.
Na última segunda-feira (19), o próprio prefeito compareceu ao plenário para justificar o envio de dois Projetos de Lei Complementar (PLC) com essa finalidade. Para Alencar Mendes, a medida é uma reflexão institucional sobre a separação dos poderes e a eficiência na gestão dos recursos públicos.
O cerne do argumento do prefeito reside no impacto financeiro. Dos 3% do orçamento de Caçador destinados a investimentos – o que representa cerca de R$ 15 milhões –, aproximadamente R$ 8 milhões estariam comprometidos pelas emendas impositivas. Na visão do chefe do Executivo, isso limita a capacidade de investimento da Prefeitura, engessando a alocação de verbas em projetos considerados estratégicos para o município.
Do outro lado da mesa, os vereadores defendem a manutenção das emendas com unhas e dentes. Nomes como Alcedir Ferlin – Lilo (MDB), André Alves (MDB), Jonatas Maia – Bainho (PL), líder do governo, e Marquinhos (União Brasil) já se manifestaram. Para eles, as emendas são um instrumento vital para o atendimento de demandas sociais e o apoio a inúmeras entidades da cidade, que dependem desses recursos para manter projetos e serviços essenciais.
Além disso, os parlamentares argumentam que, diante da percepção de falta de retorno direto do Executivo a demandas apresentadas por eles, as emendas se tornam uma ferramenta crucial de atuação e interlocução direta com a sociedade. Em outras palavras, seriam a forma de garantir que as necessidades mais básicas da população cheguem e sejam atendidas pelo orçamento municipal.
A discussão entre o Executivo e o Legislativo reflete um embate comum na política brasileira: de um lado, a busca pela autonomia na gestão e a priorização de grandes projetos; do outro, a tentativa de garantir que as necessidades pontuais e localizadas da população sejam atendidas, muitas vezes por meio de entidades e associações.
O debate, que já demonstrou ter posicionamentos firmes de ambos os lados, certamente dominará as pautas das próximas sessões da Câmara de Caçador. Qual será o desfecho dessa queda de braço? Acompanharemos os desdobramentos dessa proposta que pode redefinir a dinâmica orçamentária do município.
