Estrada Boa Rural foi lançado nesta quinta, em Joaçaba
A notícia do lançamento oficial do programa Estrada Boa Rural pelo Governo de Santa Catarina nesta quinta-feira, 3, em Joaçaba, é mais do que um anúncio de investimento; é um sinal de reconhecimento e esperança para o interior catarinense. Com a meta ambiciosa de pavimentar 2,5 mil quilômetros de estradas rurais em todos os 295 municípios do estado, e um investimento de R$ 2,5 bilhões, o governador Jorginho Mello sinaliza que, finalmente, a atenção se volta para onde a riqueza de Santa Catarina verdadeiramente brota: o campo.
É fundamental a fala do governador ao justificar a escolha de Joaçaba para o lançamento: “Eu fiz questão de vir lançar aqui em Joaçaba porque é o interior de Santa Catarina, e hoje o interior tem empresas, granjas que faturam mais do que uma pequena empresa da cidade”. Essa percepção é crucial. O agronegócio catarinense é uma potência, e a infraestrutura de escoamento da produção é um gargalo histórico. Não se trata apenas de dignidade para o produtor, mas de inteligência econômica. Com estradas de qualidade, reduz-se o custo de transporte, aumenta-se a competitividade e a eficiência, beneficiando toda a cadeia produtiva e, consequentemente, a economia do estado.

Investimento inteligente e parceria necessária
A proposta de dobrar a malha de rodovias municipais asfaltadas é audaciosa e, se bem executada, transformadora. De cerca de 2 mil quilômetros pavimentados hoje para 4,5 mil quilômetros, estamos falando de uma ampliação de 126%. É um salto qualitativo que coloca o interior de Santa Catarina em outro patamar de desenvolvimento.
A divisão estratégica do investimento, com metade dos recursos via convênios simplificados para os municípios e a outra metade via agências financeiras (BRDE e Badesc) com juros e correções arcados pelo estado, demonstra uma tentativa de facilitar a vida das prefeituras. A possibilidade de financiamento da contrapartida municipal com um ano de carência e quatro para pagar, e o Estado cobrindo juros, é um atrativo significativo e um alívio para orçamentos apertados. Isso empodera os prefeitos a fazerem escolhas estratégicas, pavimentando os trechos com maior demanda, com foco em áreas de crescimento, escolas e, crucialmente, garantindo o acesso de pelo menos duas propriedades rurais por quilômetro.
A exigência de um padrão de asfalto de qualidade, sinalizado e resistente, ao custo médio de R$ 1 milhão por quilômetro e com até 7 metros de largura, é um ponto positivo. Não se pode pavimentar por pavimentar; a durabilidade e a segurança são essenciais para que o investimento seja perene e realmente traga os benefícios esperados. A fala da prefeita de Palmitos, Giovana Giacomolli, sobre a importância da contrapartida municipal para ampliar o alcance do programa, reflete a conscientização dos gestores locais sobre a relevância da iniciativa.
Impactos além do asfalto
O Estrada Boa Rural não é apenas sobre asfalto. É sobre crescimento econômico, melhores acessos, segurança e, acima de tudo, melhoria da qualidade de vida de quem mora no campo. Uma estrada pavimentada significa ambulâncias chegando mais rápido, estudantes com menos tempo de deslocamento, produção agrícola escoando sem perdas por lama ou buracos, e o fim do “pó no verão e barro no inverno”. É um passo em direção à equidade, permitindo que as famílias rurais tenham acesso a serviços e oportunidades com a mesma facilidade que os moradores das cidades.
O compromisso final do governador de “fortalecer nossa posição como líder nacional no agronegócio” reforça a visão estratégica por trás do programa. É um investimento no presente que pavimenta o futuro, mostrando que o desenvolvimento de Santa Catarina passa, inevitavelmente, pelo valor de seu interior. Resta agora aos municípios fazerem sua parte, submetendo projetos de qualidade e garantindo que o asfalto chegue onde mais é preciso, transformando a vida de milhares de catarinenses.