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INDISCIPLINA: Os dois lados da moeda

INDISCIPLINA: Os dois lados da moeda

No momento a indisciplina tem-se caracterizado, segundo vários estudiosos, pais e professores, como o principal problema nas escolas. O assunto da indisciplina está presente nas conversas dos alunos, professores, equipe técnica-administrativa, pais e na sociedade como um todo.

A indisciplina sempre existiu, entretanto, a opressão exercida pelos professores sobre os alunos era maior que na atualidade e, também, o aluno era diferente do aluno atual. Almejava-se um aluno passivo e submisso, que para a época era ideal.

Atualmente, os tempos são outros, os alunos e professores mudaram, a sociedade mudou, assim, espera-se um aluno participativo e atuante e não apenas um sujeito assimilador de conteúdo imposto pelo professor.

Afinal, a escola, atualmente, está organizada para um tipo de aluno e por ventura esteja sendo ocupada por outro?

Diretamente ligado a organização escolar está o processo relacional entre os participantes do dia a dia desse espaço escolar. As relações interpessoais na escola apresentam componentes explícitos/visíveis e também componentes implícitos/invisíveis, ou seja, muitos comportamentos, atitudes, ações não se dão apenas de maneira racional e consciente, mas também de forma subentendida, porém, nenhum comportamento, atitude ou ação se vale totalmente sem intenção.

O sistema educativo está apresentando muitas dificuldades em direcionar para os jovens as vantagens de aprender e as possibilidades de realização escolar e profissional, assim, os comportamentos de indisciplina podem estar se apresentando de maneira positiva se entendidos como um apelo à mudança de algo que não deveria

A contrariedade as normas é algo que se intensifica no cotidiano escolar, pela reincidência de transgressões. Muitas vezes o mesmo aluno é punido várias vezes, pelo mesmo “ato” e nenhum profissional da educação se questionam o motivo de isso ocorrer. (BRITO e SANTOS, 2009)

A indisciplina deve ser concebida como um fenômeno de aprendizagem, diz Garcia (2001) superando uma condição de anomalia ou problema de comportamento que deve ser minimizado por mecanismos de controle, entendendo que indisciplina não é uma questão a ser entendida apenas como característica relativa a comportamento.

Faz-se necessário desenvolver nos alunos um sentimento de pertencimento à escola como um lócus em que o reconhecimento e a estima sejam direcionamentos Entretanto, as propostas de intervenção no contexto escolar tem-se apresentando incipientes e, em sua maioria, não oportunizam “voz e vez” aos alunos, com o objetivo de verificar a compreensão destes sujeitos sobre o contexto escolar, o cotidiano desta instituição e das relações que ocorrem neste contexto, sejam entre professor e aluno, entre alunos, professor e direção, direção e funcionários, entre outras.

Esta ausência de espaço de diálogo e de manifestação dos alunos na avaliação do cotidiano da escola pode estar relacionada  a reprodução de uma característica comum na escola que é de considerar o aluno como o problema, o indisciplinado.Antunes (2013) pontua, que “a escola é, indiscutivelmente, um foco de indisciplina, muitas vezes por sua organização interna, por seus sistemas de sanções, (…) pelo estilo da autoridade exercida, mas, sobretudo pela ausência de clareza como encara a questão disciplinar.”

Os alunos se apresentam cada vez mais desmotivados e por consequências, da desmotivação, os chamados comportamentos de indisciplina na sala de aula.

Jesus (2008) sinaliza que o processo motivacional do aluno, além de todos os componentes que permeiam o clima escolar, está a relação professor-aluno, em outras palavras, “a identificação do aluno com o professor passa muito pela satisfação obtida na relação estabelecida. No entanto, muitas vezes há uma insatisfação recíproca na relação entre os professores e os alunos.” 

Enfim, retornar as ações do passado para resolver os problemas do dia a dia relacional na escola não parece profícuo. Os problemas devem ser analisados no contexto histórico-social em que ocorrem.

“Passamos de uma educação escolar caracterizada por um elevado autoritarismo para um sistema demasiado permissivo, sendo fundamental encontrar um ponto de equilíbrio.” (Jesus, 2008).

Por Roberta Aparecida Varaschin

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