Bolsonaro tinha condenação de 27 anos e cumpria prisão domiciliar com tornozeleira
Na manhã deste sábado (22), o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) em cumprimento a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o despacho do ministro Moraes, a medida se justifica diante de “risco para a ordem pública” e de possível obstrução da eficácia das medidas cautelares anteriores, em especial após uma vigília convocada por apoiadores de Bolsonaro em frente ao condomínio onde ele cumpria prisão domiciliar. A decisão também cita tentativa de violação da tornozeleira eletrônica como indicativo de tentativa de fuga.
Condenado em setembro de 2025 pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, Bolsonaro já cumpria prisão domiciliar desde agosto, sob monitoramento eletrônico e com restrições de deslocamento, uso de redes sociais e contato com autoridades estrangeiras.
O ex-mandatário foi levado para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, sendo submetido a exame de corpo de delito e ficará sob custódia conforme despacho do STF. Aliados manifestaram indignação; o líder da oposição no Congresso classificou a prisão como “injusta e desumana”, em razão da condição de saúde de Bolsonaro.
A prisão de Jair Bolsonaro marca um episódio sem precedentes na história política brasileira — um ex-presidente condenado por crime contra o Estado democrático de direito e agora detido preventivamente não apenas pelos fatos da condenação, mas também pelo risco identificado de mobilização política em torno de sua figura.
Autoridades reforçam que, dada a gravidade da situação e o contexto de instabilidade, a custódia será realizada sem exposição pública, sem algemas e em ambiente seguro, conforme determinação da Corte.
O processo seguirá com a audiência de custódia e demais providências jurídicas cabíveis, enquanto o país observa os desdobramentos de um momento que reconfigura o equilíbrio institucional e a responsabilização de figuras de alta relevância política.
