Um vexame que envergonhou o futebol arte
Um ano depois da humilhante derrota de 7 a 1 para Alemanha na copa do mundo em sua própria casa, pouco ou quase nada se aprendeu da verdadeira lição que futebol brasileiro recebeu naquela fatídica tarde no estádio Mineirão, pelo menos para os atuais dirigentes do futebol nacional. A péssima participação do mundial serviu apenas para mudar as caras do comando técnico e nada mais, apesar ficar escancarada para o mundo a dura realidade de um país onde os valores simples deixaram de existir a esses homens, como amor à pátria, a arte, a garra, a determinação. Isso tudo já há alguns anos não fazem parte da nação conhecida como pátria de chuteiras. Mas essa decadência que não é de hoje. À medida que os milhões de dólares passaram a ser uma rotina nas transações envolvendo os pobres jogadores brasileiros, a honra e o interesse andou no caminho inverso em vestir a camisa da seleção canarinho.
Como no Brasil infelizmente a corrupção é algo cultural principalmente à muitos daqueles que dirigem não apenas o futebol e com a revelação aos inúmeros casos de roubalheira, onde aparece também no topo dos escândalos dirigentes da confederação brasileira e casos absurdos envolvendo muitas das federações estaduais, sem contar com o mais recente deles que envolveu a principal instituição do futebol mundial a FIFA e lá foi preso o ex-presidente da CBF. Isso leva a crer que o futebol de hoje é um emaranhado de falcatruas, acertos, lavagem de dinheiros, etc. Onde o torcedor é tratado em segundo ou terceiro plano, com indiferença e indiretamente chamado de tolo, já que sua importância é zero em relação aos interesses dos que comandam o futebol da seleção e dos grandes clubes brasileiros.
Em outros países, principalmente na Europa, um exemplo é da própria Alemanha que essa sim, aprendeu e corrigiu os erros nas derrotas e depois de um trabalho sério de mais de dez anos os resultados passaram a surgir em todas as categorias. Dentro e fora das quatro linhas, onde foram adotadas ações com planejamento, metas, valores, visão e também educação. A última prova desse trabalho foi exatamente a conquista do mundial no Brasil e talvez esteja neste último item o maior desafio do brasileiro da atualidade para essa mudança: “a educação”, muitas estrelas do futebol do país se quer tem o ensino fundamental, pra não dizer analfabetos e quando lhe é oferecido algum valor em dinheiro diferente da sua atual realidade, são facilmente manipulados e que é pior por esses mesmos que dirigem hoje o nosso futebol. Para uma família que passou muitos anos na dificuldade, vivendo até mesmo na miséria qualquer condição melhor lhe interessa e quando essas cifras aumentam e até se agigantam o dinheiro passa ser o que domina pura e simplesmente esse atleta e seus progenitores.
Agora falando mais regionalmente do meu estado, Santa Catarina que é hoje o segundo em representatividade nos campeonatos nacionais, com quatro clubes na série A em 2015. Não nos enganemos, esse crescimento se deve sim a competência dos catarinenses Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville, mas isso não representa uma única realidade e deva também ser vista como um aproveitamento dos clubes desse pequeno estado em relação à decadência dos grandes dos demais estados.
A saída para todo esse emaranhado de situações negativas não é simples, mas o caminho certamente deverá ser inicialmente com o afastamento de todo e qualquer envolvido na confederação e nas federações, provando e punindo os mesmos com os rigores da lei, ao mesmo tempo imprimir ações de fiscalização com auditorias independentes afim de revelar as situações encontradas, mudar e criar leis que sejam baseadas na transparência e responsabilidades, limitando os poderes de quem vier assumir todo e qualquer cargo nas entidades gestoras do futebol nacional. Quem sabe a partir daí, possamos deixar de ver as humilhantes derrotas do Brasil, para definitivamente voltarmos a ser temidos e os donos do melhor futebol do mundo.
Texto: Denílson Araújo
