Crise interna no PL revela disputa entre diferentes alas do bolsonarismo
A disputa interna na direita catarinense ganhou novos capítulos nesta terça-feira (15), após o pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro publicar um duro ataque a adversários dentro do próprio campo político. Sem citar nomes diretamente, ele se referiu a um grupo como “grupelho” e acusou integrantes de articularem um projeto de poder sem princípios morais.
Nos bastidores, o principal alvo das declarações é a deputada estadual Ana Campagnolo, que se tornou uma das principais vozes contrárias à candidatura de Carlos em Santa Catarina. A parlamentar critica a entrada do ex-vereador no estado, classificando o movimento como uma imposição externa ao partido.
O embate local reflete um racha maior dentro do bolsonarismo em nível nacional. De um lado, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro defendem centralização das decisões políticas. Do outro, um grupo liderado pelo deputado Nikolas Ferreira busca maior protagonismo e autonomia dentro da direita. Em Santa Catarina, Campagnolo é vista como representante dessa ala.
A crise interna se arrasta desde 2025, com trocas públicas de acusações entre lideranças. O conflito se agravou com declarações de aliados, incluindo Eduardo Bolsonaro, que criticou duramente integrantes do próprio campo político, e tentativas de apaziguamento feitas pelo senador Flávio Bolsonaro.
Além das disputas ideológicas, a tensão também envolve espaço político e candidaturas. A definição da chapa ao Senado em Santa Catarina, com Carlos Bolsonaro como um dos nomes, provocou rearranjos partidários e insatisfações internas, evidenciando a fragmentação do grupo.
Mesmo com o lançamento oficial da pré-candidatura previsto para maio, o cenário segue marcado por divisões, disputas de liderança e troca de críticas públicas — um movimento que expõe fragilidades dentro da própria base da direita.
