Jogadora foi assassinada a tiros a queima roupa após não gostar dos assédios sofridos

Patrícia, natural de Concórdia, foi baleada após se incomodar com provocações e assédio verbal feitos por dois homens à sua companheira. Segundo a Polícia Civil, o autor dos disparos foi preso horas depois do crime.
A cronologia do crime
As investigações detalham que, por volta das 5h20 da manhã de sábado, um Volkswagen Gol, ocupado por Patrícia e mais três pessoas, parou na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Chapecó, para que a turma comprasse um lanche. Os quatro ocupantes haviam saído de Concórdia na noite anterior para uma confraternização em Chapecó e decidiram parar para comer antes de retornar à cidade de origem.
Conforme o relato da Polícia Civil, enquanto um dos ocupantes do Gol foi buscar o alimento, um Chevrolet Corsa com dois homens estacionou ao lado. Sem desembarcar, os indivíduos no Corsa começaram a interagir e provocar as três mulheres que permaneceram no Gol.
Logo em seguida, Patrícia, irritada com a atitude dos homens, desembarcou e iniciou uma discussão na calçada. Um dos homens sacou um revólver e efetuou ao menos quatro disparos contra ela, que foi atingida por pelo menos três tiros, especialmente no tórax.
A vítima ainda tentou correr, mas caiu alguns metros depois. Testemunhas próximas tentaram prestar socorro antes da chegada da ambulância, que chegou a atender Patrícia com vida, mas ela não resistiu aos ferimentos e faleceu antes mesmo de ser levada ao hospital.
A Polícia Civil também informou que, durante a ação, o rapaz que havia ido buscar comida também foi alvo de um dos disparos. Felizmente, o tiro transfixou sua camiseta sem atingi-lo, alojando-se na fachada de uma das lojas da avenida.
Buscas, prisões e a motivação do crime
Guarnições da Polícia Militar e da Guarda Municipal agiram rapidamente e conseguiram abordar os suspeitos ainda no início da manhã de sábado, na região de acesso a Chapecó. Os dois homens, de 27 e 31 anos, foram levados para a delegacia de polícia e autuados em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo.
A Polícia Civil enfatizou a natureza do crime: “Até o momento, os elementos obtidos pela investigação apontam que aparentemente autores e vítimas não se conheciam e que os delitos foram motivados por razão fútil e covarde, de forma que dificultou sobremaneira a defesa principalmente da vítima mulher, atingida diversas vezes, à curta distância, sem possuir qualquer meio de defesa eficaz”.
O homem diretamente responsável pelos disparos ocupava a carona do Corsa e segue preso preventivamente. A Polícia Civil informou que deve concluir o inquérito policial nos próximos dias, após a elaboração dos laudos periciais e a análise de alguns elementos pendentes.
Luto e Comoção
A morte precoce de Patrícia Ribeiro gerou grande comoção, especialmente no meio esportivo. O Imperatriz Futsal, time onde a jovem atuava, publicou uma nota de pesar emocionante nas redes sociais: “Hoje o dia amanheceu cinza para o futsal feminino, em especial ao Imperatriz, que perde uma atleta, mas que também perde uma prima, uma filha, uma irmã, uma tia, uma parceira de quadras, uma adversária, e uma pessoa incrível, alegre, tranquila. Hoje nos despedimos da nossa camisa #11, com o coração apertado e na mão, mas que Deus nos conforte como equipe. Vá com Deus que ele te receba de braços abertos!”
A Associação Concordiense de Futsal Feminino (ACOFF) também lamentou a perda: “Nossa multicampeã, que ganhou tudo no futsal e no futebol feminino; quantas alegrias vivemos. Que Papai do Céu possa confortar o coração dos amigos e familiares.” Amigos e conhecidos também expressaram sua tristeza online.
O corpo de Patrícia Ribeiro foi velado em Concórdia e sepultado no cemitério do município no final da manhã de domingo, 8.