Motorista alegou à delegada distração e baixa luminosidade; uma das vítimas era uma policial militar que socorria o homem após mal súbito
O motorista de 30 anos, responsável pelo atropelamento que resultou na morte de Gabriel dos Santos, de 29 anos, e deixou ferida a policial militar Kelly Rodrigues, de 39 anos, prestou depoimento à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (6), em Curitibanos. Em sua versão dos fatos, ele alegou não ter visto as vítimas e que fugiu do local do acidente por não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
O atropelamento ocorreu no início da noite da segunda-feira (5), na rua Fioravante Ortigari, próximo ao Jardim Botânico. A policial militar Kelly Rodrigues estava em serviço pela Rede Catarina e havia parado para prestar socorro a Gabriel dos Santos, que, segundo informações iniciais, havia sofrido um mal súbito e caído na via.

Enquanto a policial realizava os primeiros atendimentos a Gabriel, ambos foram violentamente atropelados por um carro. Devido à gravidade dos ferimentos, Gabriel dos Santos não resistiu e faleceu ao dar entrada no hospital. A policial militar Kelly Rodrigues sofreu fratura no joelho direito e luxação no ombro, passou por cirurgia e seu estado é considerado estável, sem risco de vida.
Em seu depoimento à delegada de Polícia Civil de Curitibanos, Grace Clos, o motorista apresentou sua versão dos acontecimentos. “Ele alegou que transitava em velocidade normal. Disse que o local tinha baixa luminosidade e a policial e a outra vítima estavam abaixados, sem nenhum aviso luminoso”, revelou a delegada.
Ainda segundo Grace Clos, o motorista, residente em Curitibanos, relatou que estava dando uma volta pela cidade após compromissos no comércio. “Ele alegou que estava distraído e acabou batendo nas vítimas. Não é habilitado e por isso disse que fugiu”, detalhou a delegada.
O motorista confessou à delegada que chegou a dar voltas nas proximidades do local do atropelamento para se certificar de que as vítimas estavam sendo socorridas, mas optou por fugir por não possuir CNH. Apesar da confissão, o homem não foi preso em flagrante, uma vez que, conforme a delegada, não havia elementos para uma prisão preventiva no momento do depoimento.
O motorista irá responder pelos crimes de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), lesão corporal em acidente de trânsito, fuga do local do acidente e omissão de socorro. A pena será determinada pelo juiz responsável pelo caso, levando em consideração as circunstâncias do ocorrido.
Após o interrogatório do motorista, a Polícia Civil dará continuidade à investigação, ouvindo outras testemunhas e a própria policial militar Kelly Rodrigues assim que receber alta hospitalar.
A ocorrência também revelou um drama pessoal para o sargento do Corpo de Bombeiros, Adriano Roberto Kieski. Ao ser acionado para atender a um chamado de atropelamento, ele descobriu que uma das vítimas era sua esposa, a cabo da Polícia Militar Kelly.
“O primeiro chamado foi de um atropelamento. Era uma vítima só, sem carro no local, então nossa ambulância foi atender. Três minutos depois veio outro chamado de atropelamento. A solicitante era minha esposa. Ela estava no chão, pedindo socorro, depois de também ter sido atropelada”, relatou o sargento Kieski, visivelmente abalado.
Adriano descreveu o momento chocante ao chegar ao local: “A gente, bombeiro, está acostumado a atender. Mas quando é da família, tudo muda. Vi o sangue, não sabia se era dela. Ela estava caída, sendo amparada pelos colegas. Muito sangue na cabeça, dor nas pernas, escoriações. Foi desesperador.”
O sargento Kieski relatou que sua esposa, agindo por instinto de salvar uma vida, tentou proteger Gabriel ao perceber a aproximação do veículo descontrolado. “Ela teve o instinto de salvar o rapaz. Quando viu que o carro viria contra ele, agarrou nele tentando tirar da frente, mas não conseguiu. Ambos foram atingidos”, lamentou Adriano.