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Motorista da Saúde de Macieira é criticada por vereadores por ficar parada em BR interrompida por acidente

Motorista, qual tem vasta experiência como motorista, foi amplamente criticada pelos legisladores do município por conta do episódio

A motorista da Saúde de Macieira, Rubia Tatiana de Moraes, foi vítima de críticas e de acusações falsas e sem comprovação técnica por parte de alguns vereadores da Câmara Municipal.

Motorista há muito anos e instrutora de Auto Escola, Rubia seguia para Florianópolis na semana passada, quando se deparou com o trânsito interrompido devido a um grave acidente na BR 282, no município de Águas Mornas. Um dos veículos envolvidos pegou fogo e outros dois acidentes conjuntos fizeram com que o trânsito fosse totalmente fechado para qualquer tipo de veículo. Com isso, ela teve que ficar parada no local, desde por volta das 15h até às 19h.

Uma das alternativas seria um desvio, por estradas de chão, descendo a serra, para chegar até São Pedro de Alcântara. Entretanto, houve dois acidentes neste trecho também e o trânsito foi interrompido pela Polícia Rodoviária Federal.

Com a parada, o paciente que Rubia estava levando perdeu a consulta no hospital Baía Sul, mas foi remarcada para o dia seguinte, logo pela manhã.

Mesmo assim, ela recebeu críticas contundentes por parte dos vereadores, que a chamaram de “essa tal motorista” e “nós que vamos sempre para Florianópolis sabemos que existem diversos desvios”.

“Um descaso total dessa tal motorista não conhecer os desvios naquela região”, disse o vereador Jackson (MDB). Além dele, o vereador Baixinho (MDB) também teceu críticas ao trabalho da motorista.

Rubia, entretanto, fez tudo que pôde para tentar chegar a tempo com o paciente. “Mandei mensagem até para o Samu e Bombeiros, mas eles me disseram que não teriam como levar o menino, pois estavam com outras vítimas graves, atendendo as ocorrências”, afirmou.

Além disso, Rubia usou suas redes sociais para destacar que uma das alternativas viáveis era voltar a Lages e fazer um caminho pela Serra do Rio do Rastro ou, outro, pela BR 470, mas que também estava interditada em Ibirama, por conta de outro acidente. “E, estes dois outros caminhos levariam muito mais tempo do que o que nós ficamos parados. Infelizmente, esta falta de conhecimento e o fato de eu ser mulher fizeram com que estes vereadores me criticassem”, lamentou.

Questionada por ter parado para almoço

Além das críticas por parte dos vereadores, o pai da criança também enviou áudios para algumas pessoas, criticando o fato de a motorista ter parado para o almoço. “Tem que proibir os motoristas de pararem para almoçar onde eles não pagam. Se ela não tivesse parado, teria passado sem o acidente ter acontecido”, disparou o homem.

Rubia saiu de Macieira às 7h e parou para almoçar às 11h50. “Se eu não tivesse parado para almoçar, possivelmente iria chegar ao local do acidente meia hora antes, mas eu tinha uma mãe e uma criança comigo. A responsabilidade era minha de também providenciar que eles pudessem se alimentar. Não tem nenhuma possibilidade de eu deixar nenhum paciente que eu leve ou seus acompanhantes sem comer”, destacou, reforçando que quando chegou ao acidente já era por volta das 15h.

“Imagine uma criança e a mãe dele sem comer desde às 7h e eu não tivesse parado. Pode ser que eu passasse pelo local do acidente sem parar, mas e se não fosse assim, como não foi? Ficaram com fome até à noite?”, completou.

Rubia finaliza desabafando: “Parece que a responsabilidade pelo acidente é minha, que eu teria que resolver ali e passar. Milhares de veículos ficaram parados e diversos da Saúde de outros municípios. Acidentes acontecem nas estradas e não temos como prever. Fico bastante magoada com estas acusações de pessoas que não estão na estrada todos os dias e não conhecem a realidade. Eu estou e tenho responsabilidade pelas pessoas que carrego”.

Procurado, o secretário de Saúde, Hedelton Bernardino lamentou o episodio ocorrido e afirmou que presa sempre pela segurança de seus  pacientes e motoristas. “Temos total confiança nos mesmos, pois sabemos da competência e responsabilidade de cada um. Reafirmamos nosso compromisso com a população Macieirense e estamos sempre a disposição para esclarecer quais dúvidas”, destacou.

Procurado também, o presidente da Câmara não se manifestou sobre os questionamentos da reportagem.

Em grupos de motoristas da Saúde do Estado, a indignação tomou conta, por ter sido uma situação atípica e que não é uma atribuição de quem conduz um veículo de prever.

Vereadora saiu em defesa de Rubia

Já a vereadora Luciane foi enfática na sua defesa de Rubia. “A fala do vereador, ao sugerir medidas contra a motorista da saúde demostra uma lamentável falta de empatia e desconexão com a realidade. É inaceitável que um representante público ignore as circunstâncias de um acidente grave, um evento imprevisível e fora do controle de qualquer pessoa”, afirmou.

Além disso, Luciane disse que a atitude do vereador, que inclusive já foi secretário de Saúde, releva um completo desconhecimento sobre a complexidade e os desafios diários enfrentados pelos profissionais que atuam no serviço público.

“E, em vez dele cobrar punições injustas, deveria direcionar energia para cobrar soluções que melhorem o sistema de transporte e saúde, e não para penalizar quem estava fazendo o seu sob circunstâncias adversas. A solidariedade e o bom senso deveriam prevalecer à politicacalha”, completou Luciane.

Ela fez questão de revelar ainda que o próprio pai do vereador Jackson é um motorista da Saúde e certa vez foi informado que não poderia passar em local da região de Florianópolis  que estava alagada. Só que, mesmo informado, ele teimou e foi, onde teve que abandonar o veículo em meio à enchente. O carro fundiu o motor e com sorte ele conseguiu retirar a paciente de dentro do veículo”, revelou.

O que disse o vereador Jackson à reportagem

Para o Notícia Hoje, o vereador Jackson (MDB) se limitou a poucas palavras: “Só assistir a sessão da câmara e a palavra livre e falar com a vó da criança que ela me fez o relato. Vou me pronunciar em minhas redes sociais”, afirmou.

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