Homem teria cometido o crime em janeiro, mas foi denunciado em maio, com a descoberta da gravidez
A descoberta do abuso veio à tona após a mãe da menina perceber mudanças no comportamento da filha, além de um aumento no volume corporal e o uso de roupas mais largas. Desconfiada, a mulher realizou um teste de gravidez na criança, que resultou positivo. Somente então, a menina encontrou coragem para relatar o que havia acontecido.
No mesmo dia da descoberta da gravidez, a mãe procurou a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) de Chapecó, onde registrou a ocorrência e recebeu atendimento do setor de psicologia especializada.
Detalhes do abuso e prisão
A investigação apurou que o crime teria ocorrido em janeiro deste ano, quando a família passava um final de semana na casa do acusado, em Guatambu. O tio, que também é padrinho da menina, teria invadido o quarto onde ela dormia à noite. Utilizando violência física e graves ameaças, como tapar a boca da criança, ele a forçou a ter uma relação sexual, impedindo qualquer possibilidade de resistência. O agressor ameaçou a sobrinha de morte caso ela revelasse o segredo.
A menina confirmou o crime em depoimento especial, e elementos adicionais revelaram que o investigado tentou encontrar a vítima novamente, com a intenção de repetir o abuso.
Diante dos fortes indícios de autoria, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do homem, que foi realizada em Guatambu, nas proximidades de sua residência. No momento da prisão, ele também foi detido em flagrante por posse de uma espingarda irregular. O homem foi encaminhado à Polícia Científica para coleta de material genético e passou por exame de corpo de delito antes de ser levado ao sistema prisional, onde permanecerá cautelarmente.
Acompanhamento da gravidez e estatísticas de estupro
A família da menina está recebendo acompanhamento psicológico e social. Eles foram orientados sobre a possibilidade de interrupção da gravidez, mas, segundo a polícia, a opção foi rejeitada devido ao estágio gestacional avançado, de quase trinta semanas. A família decidiu que o bebê será encaminhado para adoção após o nascimento.
O crime de estupro de vulnerável é classificado como hediondo e é um dos mais graves da legislação penal, com pena prevista de 8 a 15 anos de reclusão.
Na área de abrangência da 12ª Delegacia Regional, que inclui 13 municípios (Águas de Chapecó, Águas Frias, Caxambu do Sul, Chapecó, Cordilheira Alta, Coronel Freitas, Cunhataí, Guatambu, Jardinópolis, Nova Itaberaba, Planalto Alegre, São Carlos e União do Oeste), já foram registrados 112 casos de estupro neste ano, sendo 70 deles contra vulneráveis. Somente em Chapecó, foram 57 estupros de vulnerável e 39 estupros sem essa figura especial. A quantidade de crimes dessa natureza é praticamente igual à observada no mesmo período do ano anterior, reforçando a gravidade e recorrência desse tipo de violência.
