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Cadáver mantido em casa: Filho discutiu com pai sobre conta bancária, dizem testemunhas

Polícia investiga motivação financeira no caso dos irmãos presos após seis meses com o cadáver do pai em casa

O corpo do italiano foi encontrado em avançado estado de decomposição, deitado sobre a cama. Os filhos, Tânia e Marcelo, tentaram impedir a entrada da Polícia Civil, que precisou arrombar a porta da residência. A principal hipótese investigada é que os filhos mantiveram o cadáver do pai para continuar usufruindo de sua aposentadoria. Suspeitas aumentaram devido à falta de ocupação remunerada dos irmãos e a presença de aparelhos eletrônicos recém-comprados na casa.

Testemunhas relataram à polícia na quinta-feira (22) que Marcelo teve uma discussão acalorada com o pai em 2023, antes do desaparecimento do idoso. Durante a briga, o filho teria exigido o cartão do banco e a senha de Dario, que se recusou a entregar. “Um vizinho já relatou para a gente que o próprio Marcelo alega ter matado o pai”, disse o delegado Felipe Santoro.

Motivação financeira e condição dos irmãos

O delegado Santoro afirmou que a linha de investigação principal é o interesse financeiro. “A gente acredita que tem um interesse financeiro, mas ainda vamos analisar todos esses fatos para conseguir elucidar essa tragédia, esse crime bárbaro”, garantiu. O delegado solicitou a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva, pedido que será analisado em audiência de custódia nesta sexta-feira (23).

Vizinha alertou a polícia após sumiço do idoso

Moradores da Ilha do Governador começaram a suspeitar do desaparecimento de Dario, que era uma figura querida na região e costumava passar o dia no portão de casa. Débora, vizinha da família há 30 anos, relatou que o idoso simplesmente sumiu. “Ele sumiu, não ficava mais na janela. O filho dele gritava muito porque é doente e eu vi que essa gritaria, a voz do Seu Dario, não apareceu mais. Então eu fiquei muito apavorada, comecei a procurar pessoas que pudessem investigar”, lembra Débora, que denunciou os maus-tratos e esperou um ano até a polícia obter um mandado de busca e apreensão.

O delegado Felipe Santoro destacou que os irmãos vedaram portas e janelas para evitar que o odor da decomposição se espalhasse. “Portanto, os vizinhos não perceberam o odor característico de uma pessoa morta no interior do imóvel, mas notaram a ausência do senhor Dario aqui na rua. Ele era uma pessoa bastante comunicativa e querida, e sempre estava na porta da residência”, explicou.

Convívio chocante e possíveis transtornos psicológicos

Segundo o delegado, Tânia e Marcelo apresentaram “traços de psicopatia” e foram internados em um hospital municipal na Ilha do Governador. Os investigadores buscam apurar o grau de discernimento dos irmãos que ocultaram o cadáver do pai.

“O que nos choca ainda é a convivência dos filhos há pelo menos seis meses naquele ambiente totalmente insalubre. A gente acredita inclusive que a filha Tânia dormia no mesmo quarto que o pai”, revelou Felipe Santoro. Há a suspeita de que Tânia tenha sido mantida em cárcere privado pelo irmão, o que pode ter contribuído para um possível transtorno psicológico. Os dois suspeitos foram internados no Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador, e serão avaliados.

Peritos do Instituto Médico Legal (IML) examinarão o corpo para determinar a causa e a data da morte. Além de ocultação de cadáver, os irmãos podem responder por homicídio, caso seja comprovada a autoria da morte de Dario Antônio Rafaele D’Otavio.

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