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Ataque no Paraná chamado ‘domínio de cidades’ se assemelha ao caso de Criciúma, diz delegado

O ataque sofrido pela cidade de Guarapuava, no interior do Paraná, é semelhante a ação que aconteceu em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, segundo o delegado Anselmo Cruz, da DEIC (Delegacia de Roubos e Antissequestro) catarinense.

Na noite de domingo (17), criminosos fortemente armados bloquearam acessos a Guarapuava, incendiaram veículos em frente a um batalhão da Polícia Militar e tentaram assaltar uma empresa de transportes de valores.

Em dezembro de 2020, um grupo atacou agências bancárias de Criciúma sob os mesmos moldes usados na cidade paranaense. A Polícia Civil de SC auxilia nas investigações desse caso mais recente.

Em entrevista ao Balanço Geral da NDTV, nesta segunda-feira (18), o delegado Cruz afirmou que ataques desse tipo têm sido chamados de “domínio de cidades”.

Um trabalho de inteligência envolvendo as polícias civis de diversos Estados e também a Polícia Federal vem sendo colocado em prática com o intuito de desarticular as quadrilhas.

Crime violento

Segundo o delegado Cruz, o “domínio das cidades” é considerado um dos crimes mais violentos praticados no Brasil.

“Estamos falando de dezenas de criminosos atacando cidades de porte médio, com cerca de 200 mil habitantes, tendo como alvo empresas transportadoras de valores ou bancos, usando veículos blindados e armamento pesado”, descreve Cruz.

Cerca de 50 homens teriam participado do ataque a Guarapuava. Sete fuzis e duas metralhadoras .50, que são capazes de perfurar carros blindados, foram apreendidas, segundo informações da Polícia Militar.

A Polícia Civil de Santa Catarina auxilia as investigações coordenadas pela Polícia Civil do Paraná. Desde os primeiros minutos da ação os agentes catarinenses entraram em contato com o setor de inteligência da Polícia Civil do Estado vizinho para troca de informações.

Diferentes grupos

As investigações apontaram que esses crimes não são cometidos por um único grupo estável, mas sim, por pequenos grupos diferentes que atuam nos Estados.

Anselmo Cruz afirma que o ataque a cidades vem acontecendo há alguns anos pelo Brasil e que o caso de Criciúma ganhou repercussão nacional por conta da extrema violência.

“Ao longo da apuração dos fatos, percebemos que não se trata necessariamente de grupos estabilizados. Vários membros já foram presos, inclusive, alguns ‘cabeças’. O grupo que atacou Araçatuba (SP), por exemplo, é diferente do que atacou Criciúma”, diz.

O delegado considera que o domínio de cidades envolve uma “logística criminosa bastante complexa”. Isso porque, por vezes, os grupos são compostos por membros de diversos Estados, sendo a maioria de São Paulo.

Alguns dos membros estão conectados ou são integrantes de facções criminosas. Contudo, conforme Cruz, nem todos os crimes são orquestrados pelas facções.

“Felizmente, temos percebido que as quadrilhas têm obtido menos sucesso tanto pelo reforço na segurança feito por instituições financeiras quanto pelo trabalho policial, que tem conseguido alcançar grande parte dos integrantes desses crimes violentos”, aponta.

O ataque a Guarapuava

Um grupo fortemente armado atacou a cidade de Guarapuava, no Paraná, na noite de domingo e madrugada desta segunda-feira.  O alvo da ação foi uma transportadora de valores. Projéteis de fuzil ficaram espalhados pelas ruas.

Segundo a prefeitura de Guarapuava, o ataque deixou ao menos três pessoas feridas, sendo dois policiais militares e um morador. Um dos PMs foi ferido na cabeça e está em estado grave no hospital e o outro, na perna. O morador passa bem.

Muitos moradores foram utilizados como escudos humanos durante a tentativa de assalto. O 16⁰ Batalhão de Polícia Militar de Guarapuava foi atacado a tiros e dois caminhões foram incendiados impossibilitando a saída dos policiais.

Equipes de apoio da PM de toda a região, inclusive de Curitiba, foram acionadas. A Polícia Rodoviária de Ponta Grossa e o Exército também foram chamados para enviar reforços ao município, localizado a 255 km da Capital do Paraná.

O grupo utilizou armas de grosso calibre e fugiu da cidade em direção ao interior do Estado. A PM cercou os criminosos em rodovias na área rural de Guarapuava e houve troca de tiros.

Os bandidos abandonaram os veículos e fugiram mata adentro. Munições, sete fuzis e duas metralhadoras .50 foram apreendidos.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Rômulo Marinho Soares, declarou que o grupo criminoso não teve sucesso na ação.

“Embora tenhamos dois policiais feridos, os criminosos não lograram êxito. Não houve falha, nós sabemos que existem quadrilhas fortemente armadas atuando, tanto que não conseguiram ter êxito”, comentou o coronel em coletiva de imprensa.

Buscas pelos criminosos

Ainda não há informações de presos. Logo após o início da ação criminosa os policiais iniciaram perseguição contra os suspeitos. Oito veículos foram interceptados.

O secretário de segurança revelou que as buscas na área rural de Guarapuava vão continuar nos próximos dias. Equipes do Centro de Operações Policiais Especiais e do Batalhão de Operações Especiais, estão na busca de criminosos na região de Palmeirinha e também próximo à Pitanga, que foi a rota dos suspeitos após a ação.

“Não temos hora para ir embora”, declarou o coronel Hudson, que ainda reforçou a presença de três helicópteros para auxiliar nas buscas.

Com informações ND Mais 

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