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A voz da comunidade ecoa: Oportunidade para transformar a saúde de Caçador

Por Jonathan Ribeiro

A noite da última terça-feira (29) marcou um passo importante para a saúde pública de Caçador. A Câmara Municipal, por iniciativa da Comissão de Saúde e sob a presidência do vereador Clayton Zanella, abriu as portas para um debate essencial: a atenção primária no município. Mais de uma centena de participantes, entre munícipes, técnicos da Secretaria de Saúde e vereadores, demonstraram o quão vital é essa pauta para a comunidade.

O que se viu na audiência foi um retrato fiel da nossa realidade. De um lado, a apresentação de dados técnicos, um esforço válido para transparentar os atendimentos realizados. Do outro, a voz da população ecoando insatisfações e, mais importante, propondo soluções. É inegável que o diálogo entre gestores e cidadãos é o alicerce para qualquer avanço significativo. Como bem pontuou o Secretário de Saúde, Alexandre Braggio, os questionamentos são “naturais e bem-vindos”, e o encontro foi “extremamente produtivo” nesse sentido.

No entanto, por trás das palavras otimistas e dos compromissos de elaborar um documento público com os apontamentos que, esperamos, não se tornem mais um mero “protocolo de gaveta”, persistem desafios que a comunidade caçadorense sente na pele diariamente. As queixas relativas ao atendimento nos postos de saúde, à demora no agendamento de consultas com especialistas e procedimentos, e à precária estrutura de algumas unidades são ecos de uma realidade que clama por ação imediata e efetiva.

Não podemos nos esquecer da emblemática situação do posto de saúde do bairro Berger. Há anos, a população aguarda a conclusão de uma promessa de campanha que se arrasta no tempo, simbolizando a ineficácia e a frustração. Um prédio inacabado é mais do que um desperdício de recurso público; é um atestado de descaso com a saúde de uma comunidade inteira.

Outro ponto crucial levantado pela própria dinâmica da saúde é a falta de orientação dos usuários. É imperativo que a população compreenda a lógica do sistema: saber quando procurar a unidade básica, quando a UPA e quando o hospital. A sobrecarga das unidades de atenção primária e emergência muitas vezes deriva do uso inadequado dos serviços, com pacientes buscando o nível terciário para demandas que poderiam ser resolvidas na base. Isso não apenas gera custos desnecessários, mas também retira a oportunidade de quem realmente precisa de atendimento especializado e urgente.

A audiência pública foi um valioso espaço democrático, como bem definiu o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Sérgio Schmitz. Agora, o desafio é transformar o “diálogo efetivo” em “ações efetivas”. Os apontamentos em ata não podem ser apenas registros burocráticos. Devem ser o ponto de partida para um plano de melhorias concreto, com metas, prazos e responsabilidades claras. É hora de ir além das palavras e, de fato, aprimorar a estrutura e, principalmente, a humanização do atendimento em nossa saúde pública. A população de Caçador espera e merece essa transformação.

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